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7 de ago de 2016

[Crônica] PEDRO LUSO – Pintor Antonio Dias





             
       PINTOR ANTONIO DIAS

         – PEDRO LUSO DE CARVALHO                                                                                                


                
Na visita que fiz a Pedro Escosteguy e sua esposa Marília, no Rio de Janeiro, há algumas décadas, conheci Antônio Dias, que havia chegado de Paris com sua mulher e se encontravam hospedados no apartamento do casal, no Leme. Essa reunião com a família do Escosteguy deveu-se às festividades natalinas e à entrada do novo ano.
Ainda guardo as boas lembranças daqueles trinta dias que passei no Rio, onde travei conhecimento com o movimento de vanguarda das artes plásticas, no qual estavam inseridos Antonio Dias, Pedro Escosteguy, Carlos Vergara, Glauco Rodrigues, Helio Oiticica, Rubens Gerchman, entre outros.
Para quem era ainda estudante e não estava ligado às artes plásticas, como era o meu caso, essa experiência foi enriquecedora. O que eu conhecia de pintura não era nenhum pouco parecido com o que criavam aqueles pintores, que escandalizavam os adeptos da pintura clássica e moderna com uma arte plástica de vanguarda que rompia os padrões predominantes.
Numa das madrugadas que Antonio Dias pintava no ateliê de Escosteguy, nessas férias de fim de ano, ouvi dele uma queixa contra a Escola Nacional de Belas Artes, do Rio, na qual havia ingressado e desistido depois de seis meses: “Levei quase um ano para reencontrar minha pintura, depois que deixei a escola belas artes”.
Os anos foram se sucedendo, mas aqui e ali sempre li alguma coisa sobre Antonio Dias em livros, revistas ou jornais do Rio e de São Paulo. Há alguns anos encontrei numa livraria de livros usados Caminhos da danação, de Péricles Leal, romance cuja capa tem a arte de Antonio Dias (ed. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1966).
Pessoalmente, tive apenas um segundo encontro com Antonio Dias, que se deu no Auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no dia 24 de junho de 1996, quando ele veio a Porto Alegre para apresentar e autografar o livro póstumo de Pedro Geraldo Escosteguy, Poesia reunida, a convite da viúva Marília Escosteguy.
Compareci nessa noite de autógrafos com Taís, minha mulher; ouvimos Antonio Dias falar sobre o livro de Pedro Geraldo Escosteguy, Poesia reunida, e depois colhemos de Antonio o seu autógrafo: “Para Taís e Pedro com a minha amizade. Antonio Dias”.
Quando conversávamos com Antonio Dias no salão nobre da universidade, após a sessão de autógrafos, ele retirou o livro de minhas mãos e desenhou uma espécie de bandeira com longa haste no alto da mesma página autografada; depois nos despedimos de Antonio. (No blog de artes da Taís há uma excelente matéria sobre o pintor; para ler, clique em: Antonio Dias.)
  

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31 comentários:

  1. Bela crônica e certamente ficou bem marcada essa experiência e conhecimento ! abraços,chica

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  2. Muito interessante esse relato!
    Bonita pintura!
    Abraço

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  3. Obrigada por me dar a conhece o pintor Antonio Dias. Gostei de ler a sua crónica. E gostei muito de espreitar o blog da Taís onde conheci um pouco melhor a vida e a arte desse pintor que disse: "Só pinto por necessidade de dizer". Confesso que gostei.
    Beijos.

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  4. Pequenos momentos com grandes almas que enriquecem a nossa existência.
    Obrigada pela partilha.

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  5. Que experiência interessante essa, realmente.

    Sei o que significa podermos lidar com pessoas talentosas( embora , por vezes, de trato difícil): enriquecemos, sempre.

    Boa semana :)

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  6. Gracias por presentarme la obra del pintor Antonio Dias, Pedro.
    Aquí en Chile y en los países de habla hispana el apellido Diaz es con letra z al final.
    Me reconforta este ejercicio de leerte en portugués y contestarte en español. Nuestras lenguas no están tan lejos una de otra.

    Abrazo austral.

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    1. Também eu, Esteban, faço esse execício, lendo as matérias publicadas em espanhol e dando as minhas respostas em português. Como há muita semelhança entre as duas línguas não é difícil, ainda mais para mim, que moro no Rio Grande do Sul, Estado que tem fronteiras com o Uruguai e com a Argentina.
      Grande abraço, amigo.

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  7. Caro Pedro, este é um belo segredo da vida: guardar os bons momentos nos escaninhos da memória e poder revê-los repartindo com os seus leitores. Já estou seguindo em passos rápidos ao blog da Taís.
    Abraços,

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  8. Buenos momentos de recuerdos con esta experiencia en las artes y a la vez he podido conocer a este pintor.
    Un abrazo.

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  9. A vida dos artistas também nos enriquece o espírito, pois nos dá a dimensão do sonho de cada um. obrigada!

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  10. Antonio Dias é uma pessoa muito agradável. Saímos faceiros com o episódio da Bandeirinha desenhada ao lado do seu autógrafo, disse-lhe que aquela bandeirinha valeria muito...Conheci Antonio também no Rio de Janeiro, quando eu estava comemorando meu aniversário. É um artista de Vanguarda, muito reconhecido, viveu, sempre na Europa, com exceção daqueles anos no Rio.
    Ótima essa tua postagem, gostei de recordar, e pegamos o livro para ver a tal bandeirinha...
    Beijinho, daqui do lado! rs

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  11. Hay momentos que vivimos y que nos marcan para siempre como cuando se da la circunstancia de conocer a personas especiales, son artistas porque tienen algo que los hace diferentes. El arte es trabajo pero no lo es si no hay inspiración. Interesante. Ahora mismo iré al blog de Tais.

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  12. Olá Pedro, uma boa cronica para falar da arte e nos encaminhar para este caminho tão pouco divulgado em nosso país.Vou sim ver o link com a Taís.Bela recordação e partilha amigo.Esta é uma função que não pode ser esquecida na blogosfera a de compartilhar cultura e conhecimentos.
    Grato pelo caminho.
    Meu terno abraço na boa semana com a familia.

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  13. Pedro, con tus conocimientos y tu sensibilidad, ¡¡Cuanto disfrutarías en El Museo del Prado de Madrid!!
    A lo mejor ya has estado, pero si no es el caso, te aseguro que te gustaría mucho.
    Como estos días Brasil esta de moda por lo JJOO, te felicito por tan bonita inauguración.
    Un abrazo

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  14. O que nos vale são estes momentos passados com pessoas ligadas à arte, seja ela de que estilo for. Faz-nos esquecer a corrupção dos politicos, as reuniões de condominio que são um aborrecimento em todo o lado; aqui também raramente há quorum para que se realizem no dia marcado e são sempre os mesmos a irem à reunião. Depois há os caloteiros que se acham donos da verdade e simplesmente decidem que não pagam; aqui a empresa que trata do condominio coloca esses em tribunal e lá vão pagando. Um beijinho, Pedro e obrigada pela partilha de temas tão interessantes
    Emilia

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  15. Olá, Pedro Luso.
    Lamento não ter conhecido o artista mais cedo, porém. gostei desta apresentação que deu origem a uma série de pesquisas...
    Vi as obras do António Dias, mas não percebi a evolução do seu percurso.
    Gosto dos seus trabalhos na viragem dos séculos (se não me engano), que consistem em manchas policromadas em pinturas geométricas que o artista agrupa em quadros...
    Dias felizes.
    ~~~~~~
    Ps ~ Também apreciei a sua biografia de W A Mozart.

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  16. Que legal Pedro o link da Taís, penso que ja vi este curta no Canal Brasil da SKY, interessante a passagem numa pedreira extinta com artista saindo dos cubos. Bem como os movimentos nos ateliês.
    Gostei muito, valeu o link e vou frequentar mais.
    Grato.

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  17. Uma partilha preciosa esta sua excelente crônica, com a janela
    da memória partilhando conosco, seus leitores, momentos de
    arte e afetos junto com a Taís. A matéria dela é excelente e
    nos localiza na dimensão da arte e biografia do Antônio Dias.
    Esta bandeira desenhada tem um valor afetivo, uma atenção
    especial do artista para com vocês.

    Grata pela partilha aqui e grata pela sua gentil visita e
    comentário no meu espaço, caro Pedro.
    Abraço!

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  18. Amei ler aqui e é de se sentir enriquecido, pois com o autógrafo e a bandeirinha desenhada no livro, isso não é para se deixar de lado nunca!
    Abraços apertados amigo Pedro!

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  19. Es una pintura llamativa, impactante, difícil de apreciar.
    Debe ser cierto eso de que hay artistas que son comprendidos muchos años después.
    Un saludo, Pedro.
    Siento no poder expresarme en portugués.

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  20. Hermosa crónica, querido Pedro, gracias por tus visitas a mi rincón plasmando tu huella.

    Un abrazo.

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  21. Oi Pedro,
    Desculpa a ausência, estou fazendo cirurgias.
    Sua crônica é enriquecedora.
    Obrigada pela partilha
    Abraço
    Minicontista2

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  22. Estes encontros são sempre muito enriquecedores e quando é com figuras de peso no meio cultural ainda melhor.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.
    Andarilhar

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  23. muito interessante a crónica e pesquisei o trabalho de António Dias e achei muito original.
    beijo
    :)

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  24. A crônica é excelente! E ainda mais acompanhada por esta fotografia... que diz mais que qualquer título.
    Um beijo

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  25. Gracías por tu visita ...un placer venir a visitar tu blog con buenos relatos para leer y hermosas pinturas para admirad ...gracias amigo...
    feliz fin de semana y un abrazo .
    Maarina

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  26. ♩♪ه°·.

    Bom fim de semana com tudo de bom!
    ♬♮♫╮ه°

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  27. Interesante tu información.

    Encantada de estar aquí.

    Un beso.

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  28. Interesante post!!! gracias por su visita y encantada de seguir su blog!!!
    Besos, desde España, Marcela♥

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  29. Obrigada pela visita ao meu blog. Gostei de passar por cá, voltarei com certeza. Abraço

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PEDRO LUSO