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2 de fev de 2012

[Conto] NELSON RODIRGUES – As Núpcias


 – PEDRO LUSO DE CARVALHO

NELSON RODRIGUES (Nelson Falcão Rodrigues) nasceu a 23 de agosto de 1912, em Recife, e morreu em 21 de dezembro de 1980, no Rio de Janeiro.
Foi o mais importante dramaturgo brasileiro do século XX. Nas suas obras ataca o mundo pequeno-burguês nas teias de ilusão e hipocrisia em que vive. O próprio Nelson Rodrigues provinha de um ambiente da pequena burguesia, que lhe proporcionou, desde pequeno, um forte senso crítico. Durante a Ditadura Militar teve peças censuradas. O conflito entre o desejo e a repressão foi a base com a qual desenvolveu sua dramaturgia, que teve o seu início aos 17 anos, quando seu irmão Roberto foi assassinado.
Suas principais peças são: Vestido de noiva (1943), Álbum de família (1945), A falecida (1953), Beijo no asfalto (1960), Toda nudez será castigada (1965).
Escolhemos para esta postagem o conto As núpcias, de Nelson Rodrigues, um dos contos que compõem o livro  A vida como ela é...  (in A vida como ela é... / Nelson Rodrigues, Rio de Janeiro, Agir, 2006, p. 141), que segue, na íntegra:
AS NÚPCIAS
– NELSON RODRIGUES

Na véspera do casamento, temeroso de que ela fraquejasse, o Chagas sussurrou: “Depois que tiveres um marido, vai ser um chuá pra nós!” Chegou o dia. Muito linda, Lucila casou-se no civil e no religioso. E veio, de noiva, para casa, no automóvel iluminado, com o comovido Armando. Finalmente, quando se viram sós, na casa silenciosa, e o noivo quis beijá-la, ela se desprendeu, com violência. Recusou gritando:
– Não me toque! Não me toque! – torcendo e distorcendo as mãos, dizia:
– Eu quis ser de dois, mas não posso, não está em mim!
Meia hora depois, a chamado do marido, Chagas e Dora compareciam. Lucila, é claro, escondia, ferozmente, a identidade do outro. Trancaram-se as irmãs numa sala. E vendo que não extorquia o nome, Dora deu-se por satisfeita:
– Eu não te condeno! Tua atitude é linda! – repetiu: – Linda!

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PEDRO LUSO