>

10 de mai de 2015

[Poesia] PEDRO LUSO – A Mulher e o Algoz




                                                                                 
 [ESPAÇO DA POESIA]



A MULHER E O ALGOZ

  – PEDRO LUSO DE CARVALHO
      


Quarto às escuras. Noite chuvosa.
No desalinho da cama, absorta,
 a mulher olha através da janela.

Da rua, nesga de luz clareia livros
sobre o velho baú. Na calçada, iluminado
entre ramos de árvores, o relógio:

longos ponteiros, duplicados
pelo efeito das sombras. Mulher
paralisada: dos pulmões puxa o ar

que falta, e sente a ameaça mortal.
Aterrorizada, coração descompassado,
desmaio. Passam minutos, horas

ou séculos – resta o desfecho. Na rua,
silêncio e ruído de carros alternam-se
sobre o asfalto molhado.

Lívida, no chão busca refúgio:
rosto entre os joelhos – domínio
do medo. Na porta, forte batida

transpassa-a (barulho de passos,
escuridão, mulher encolhida
no assoalho, desesperançada).

De repente, no frio da noite,
lâmina zune no breu: dor lancinante.
Grunhido de ave ferida.

  

     
    *  *  *



11 comentários:

  1. Inquietante, o seu poema...Um ataque pela calada da noite?
    Um abraço

    ResponderExcluir
  2. Olá, Pedro!
    Li seu poema como se assistisse a um ato de uma peça teatral, atenta ao suspense e apreensiva quanto ao desfecho. Genial, adorei.
    Um abraço,
    Celêdian

    ResponderExcluir
  3. Uma grande poesia. Sem dúvida, a agonia é maior quando se espera pelo piore e se entende sem defesa.

    ResponderExcluir
  4. Nesse dramático poema, essa expectativa, essa morte anunciada, é um horror! Sem dúvidas, nesses casos, melhor é a surpresa: pelo menos a morte não vem num pinga-gotas... é melhor que venha de supetão.

    Na medida que se lê, sobe uma agonia...
    Beijinhos, Pedro Luso!!

    ResponderExcluir
  5. Aí, Pedro, grande poema! Rapaz, eu gelei quando a foice subiu e desceu. O Celêdian disse bem que parece uma peça de teatro de horrores. Tem algumas vezes, a gente fica paralisado pelo medo, a coisa toda é por aí. Podia ficar atrás da porta, com um bastão, esperando o algoz entrar e poft na cabeça dele, e a ave dele é que ia gemer. Mas o medo é uma praga humana.
    Blogaço. Muita cultura e muita arte.
    Abração

    ResponderExcluir
  6. MUCHAS GRACIAS POR SEGUIR MI BLOG!
    veo que eres escritor, cuestión que no soy yo, pues no tengo la formación ni la impronta del escritor!
    un abrazo fraterno
    muchas gracias
    lidia

    ResponderExcluir
  7. Acontecimentos taciturnos que somente um cenário bem delineado pode mostrar. Edgar Allan Poe sentiria inveja, meu amigo...
    Partilhei este teu momento poético que até então não conhecia...
    Parabéns!! Abraço

    ResponderExcluir
  8. Você é muito bom, Pedro. Concordo com Malu, não me lembrou outra outra pessoa que não Poe.
    Parabéns. Espero que sempre se mantenha em você a vontade e o talento para escrever que tão claramente se constata em seu poema.

    Abraço

    ResponderExcluir
  9. Es un impresionante y gran poema...traducir el miedo, el horror a la proximidad de la muerte sólo el poeta tiene el alcance de hacerlo sentir en sus versos pues llegan a tocar la fibra en el sentir del lector ....
    Afectuoso abrazo

    ResponderExcluir
  10. Una poesia particolarmente evocativa con attimi di suspance.....e coinvolgente nel suo genere.
    Ti auguro una buona settimana

    ResponderExcluir
  11. Eccomi di ritorno finalmente. Ti lascio il mio abbraccio.

    ResponderExcluir

LOGO O SEU COMENTÁRIO SERÁ PUBLICADO.

OBRIGADO PELA VISITA.

PEDRO LUSO