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22 de set de 2015

[Poesia] PEDRO LUSO – O Assalto






O ASSALTO
– PEDRO LUSO DE CARVALHO


Vi no cano da arma, túnel
escuro, sem luz
no fundo, ameaça
e temor na hora do assalto.

Senti o medo, que ao bandido
também não poupou;
esse medo, faca de dois gumes,
morte em cada um deles.

A minha imobilidade
de estátua
(diante do bandido)
foi a defesa que tive.

De súbito o tiro: no peito
do assaltante estancou-se
a bala (pontaria 
certeira do soldado).

Naquela tarde quente,
refletiu-se o sol
na cápsula do revólver,
esquecida no asfalto.


*  *  *


19 comentários:

  1. A imagem é impressionante, muito versos originais. Você sente medo, muito oeiginal o fim.
    Abraço, Pedro

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  2. Oi Pedro,
    Linda poesia, não é sempre que nos safamos da morte.
    Beijos no coração
    minicontista

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  3. Grandi emozioni nella lettura dei tuoi originali versi
    Un caro saluto, Pedro, silvia

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  4. Um belo mas dramático poema.
    Gostei bastante da pintura.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

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  5. Profundo, raso e contundente, como essa bala certeira
    cuja cápsula ficou a brilhar ao sol, no asfalto.
    Excelente, Pedro!
    xx

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  6. Pedro, esse poema é o retrato dos nossos dias: desconfianças, medo que vira pavor. Lembras daquele nosso amigo em que um rapaz parou, olhou para seu relógio para pedir-lhe as horas e ele entregou o relógio (desesperado) e saiu correndo? Isso só terminaria com políticas sociais e educativas preventivas. E as leis aplicadas aos homens e não os homens manipulando as leis.
    Poema tenso, totalmente realista.
    Beijinhos, aqui do gabinete do lado...

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  7. Un reflejo de la bala en lo dañado.
    Un saludo.

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  8. La vida la percibimos muy agresiva y caminando como estatuas, encañonados a punta de pistola, esperando temerosos que nos devore la esperanza que nos queda este mundo de unos pocos para lo que todo es fácil , lo tienen todo y no dan nada.....
    Es un poema profundo y bello en su cruda realidad social...
    Abrazo

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  9. Hoje em dia é perigoso até dentro de casa.
    O seu poema é a realidade da vida!
    Adorei.
    Boa tarde.

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  10. Beleza de olhar no duplo sentido Pedro numa comparação grotesca seria a mesma do toureiro se olhasse nos olhos do boi na hora da espetada final.
    Belo trabalho da poesia sobre o cotidiano onde talvez não há morto e sim mortos.
    Aplausos mestre.
    Meu terno abraço.

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  11. Crudo y real poema Pedro.

    Versos que estremecen.

    mariarosa

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  12. Pedro: pura realidade! Adorei o texto. abraços meus.

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  13. Sentí miedo... recordé que algunas vez me sucedió, tuve un cañón frente a mi cara.

    Un abrazo.

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  14. MUY CRUDO Y REAL TEXTO.
    ABRAZOS

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  15. Não é fácil construir um belo poema, como você fez, com fatos corriqueiros de nossa realidade, onde impera o medo e cresce a violência. Parabéns!!

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  16. Oi amigo, vim lhe desejar uma ótima semana, beijos e fique com Deus!!

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  17. Lindo e dramático poema, a violência cada dia crescendo mais, infelizmente!
    Abraços!

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  18. Ese reflejo de luz en la cápsula de la bala, es por sí mismo toda una alegoría. De la vulnerabilidad, de nuestra indefensión ante la maldad o la desesperación. Del Miedo, en suma.
    Saludos desde este comienzo de otoño barcelonés.

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  19. Uma poesia que bem retrata o que acontece em muitos lugares de nosso país, infelizmente.
    Um abraço.
    Élys

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PEDRO LUSO