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14 de ago de 2014

DISSOLUÇÃO - Carlos Drummond de Andrade




- PEDRO LUSO DE CARVALHO

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE foi poeta, jornalista e funcionário público. Não foi indiferente ao movimento para modernizar as artes, pelo contrário, participou do movimento literário modernista. Com seus companheiros de geração, editou A Revista, nos anos de 1925-1926.
Drummond jornalista, desempenhou importantes cargos nos jornais Diário de Minas, Minas Gerais, entre outros. Escreveu crônicas, nos anos de 1954 a 1968, para o Jornal carioca, Correio da Manhã, com o título geral de “Imagens”. Depois passou para o Jormal do Brasil, onde manteve uma coluna no Caderno B.
O poeta nasceu em Itabira, Minas Gerais, a 31 de outubro de 1902 e faleceu no Rio de Janeiro a 17 de agosto de 1987.
Segue o poema de Carlos Drummond de Andrade, Dissolução, de Carlos Drummond de Andrade (In, Claro Enigma/Carlos Drummond de Andrade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1991, p 15-16):


DISSOLUÇÃO
- CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.


E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.

Vazio de quanto amávamos,
mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?


E nem destaco minha pele
da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.


E aquele agressivo espírito
que o dia carreia consigo
já não oprime. Assim a paz.
destroçada.


Vai durar mil ano, ou
extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.


Imaginação, falsa demente,
já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.



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