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2 de set de 2015

[Poesia] PEDRO LUSO – Fuzis e Jasmins




FUZIS E JASMINS
– PEDRO LUSO DE CARVALHO
 às Mães da Praça de Maio, Buenos Aires


Há muito tempo, cobriu
a sofrida pátria
nuvem de chumbo,
quando a moça ainda regava
os seus jasmins.

A moça queria pães
para bocas famintas
– soldados e fuzis vigiavam
as  sendas –, os seus jasmins
haviam de esperar.

A moça enfrentou soldados
e fuzis. Na noite cúmplice,
jogaram seu corpo
na erma vala (na boca,
rosa vermelha de sangue).

Hoje quem passa por esse campo
deserto ouve as lamúrias
do vento
e sente o perfume
intenso dos jasmins.



*  *  *




25 comentários:

  1. Pedro, há dias assistimos pelo Canal Curta, um programa com mulheres que deram seus depoimentos sobre o que sofreram, o tanto que foram torturadas no período da ditadura. Tive certeza, pela tua emoção, que postarias algo sobre aquelas mulheres.
    Adorei os delicados jasmins contracenando com a brutalidade dos fuzis - nada tão desigual, tão covarde. Jamais o Brasil esquecerá daquela época das trevas, em que mergulhamos na barbárie.

    Beijinho, aqui do gabinete do lado.

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  2. Pedro:
    Lamento muito não conhecer os fatos que são refletidos em seu poema. Embora seja fácil de saber qual é o problema. Neste campo, o meu país tem experimentado uma grande tragédia.
    Poema muito bonito.
    Um grande abraço.

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  3. Olá Tudo bem! Visitei o seu blog e agora estou como seguidor se nãos e importa. Divulgue em meu twittter @ulissessebrian Obrigado e sucesso. E também tenho um blog gostaria que visitasse. Histórias empolgantes e que te emocionam. http://migre.me/dVvEK Ou http://truquedevida.blogspot.com.br/ https://twitter.com/ulissessebrian

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  4. Saber-se-á algum dia quantas moças jardineiras (por necessidade de pão, guerrilheiras) deixaram-nos, de sua juventude, apenas os jasmins? Toda violência e toda forma de violência, e todo pensamento de violência que lhes dá vida são indignos. Belos versos. Abraços

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  5. Pedro, seu espaço é um jardim de belas poesias. Sua escrita sempre valoriza ou nos lembra algo que acontece, aconteceu ou quem sabe veladamente continua a acontecer. Não sei o porquê,mas o título do seu poema me fez lembrar da obra "O menino do Dedo Verde" de Maurice Druon, penso ser porque em cada canhão disparado saia uma flor. A sua homenagem em forma de versos a todas as mulheres" Guerreiras" de uma forma ou outra. Gostei, texto emocionante. Abraços!

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  6. Um nódoa na historia meu amigo Pedro assim como foi a escravatura neste país. Toda e qualquer forma de opressão deveria ser combatida e entendida. Quanto mais nos aprofundamos e estudamos sobre os horrores de certos regimes, mais nos convencemos dos limites da mente humana e muitas vezes para ser poder e dele perpetuar em maldades.As vezes com muita tristezas ouço ignaros fazendo loas aos tempos desta dita.
    Tinha lido esta poesia de profunda reflexão na pagina da amiga Tais.
    Um abração e ainda vamos ver uma nação como sonhamos.

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  7. Olá Pedro,

    Vi este lindo poema no blog da Tais e fiquei encantada com sua sensibilidade para retratar uma ocorrência tão desprezível e desumana, que mancha a história da nossa nação.
    Parabéns!

    Abraço. (Verifiquei e já me encontro em seu rol de seguidores).

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  8. Nossa que beleza e que tristeza este excelente poema........Adorei.Obrigado caro amigo pela visita e incentivo nas minhas canções;Meu grande abraço.SU

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  9. Oi Pedro,
    Linda poesia, mas de uma tristeza que dói
    Quanta dor!
    Beijos
    Dorli Ramos

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  10. Acontecimento triste, porém, o seu poema está lindo.
    Ah! soldados, por que, ao invés de balas, não detonaram jasmins?...
    Grande abraço, Pedro!

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  11. Não é tão dificil imagina uma sena assim,bom seria que só existesse dor assim,na mente fertil dos poetas, pois é muito triste, porem linda, digna de um grande poeta e escritor!

    Fica com Deus!

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  12. Lindíssimo poema!!
    Porem triste! Quando essas nuvens de chumbo chegam,o melhor é não
    enfrenta-los!
    Agradeço a visita.
    Boa noite.

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  13. Olá Pedro, obrigada pela visitinha. Gostei do Blog! Ótimo Sábado para você!

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  14. Um belo poema e o moral é fantástico infelizmente referente ao drama das mães de Buenos Aires.
    Um abraço e bom Domingo.

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  15. Usted ha removido con su poema muchos recuerdos de esos años negros argentinos, cuando tantos llegaron a Barcelona con el destrozo de la pérdida de sus seres queridos. Luego vi a “las locas de la plaza de mayo” en su puesto de guardia, con tanto valor frente a la maldad. Nunca más, por favor.

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  16. En contra totalmente de toda la maldad que reina en este mundo y de todos los sucesos que riegan con sangre nuestro planeta.
    Saludos y muchas gracias.

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  17. OI PEDRO!
    LI LÁ NA TAÍS TEUS VERSOS SOBRE SETEMBRO E VIM ATÉ AQUI PENSANDO EM TE PARABENIZAR POR ELES, MAS, FIQUEI PASMA ANTE OS QUE ENCONTRO AQUI, LINDOS TAMBÉM E DIGNOS DE APLAUSOS.
    ABRÇS
    -http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  18. Hoje quem passa por esse campo
    deserto ouve as lamúrias

    saludos y buena jornada

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  19. Olá Pedro
    Poema tão actual...
    Em quantos campos por esse mundo fora as lamurias emanam de terrenos cobertos de flores!
    Um beijo
    Teresa

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  20. Amores em guerras que não deveriam existir.

    Gostei do perfume a jasmim.

    Beijinhos

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  21. Pedro, passei em seu blog para parabeniza´-lo pelo belo poema-presente que escreveu
    à sua amada Tais. O meu comentário sobre a sua postagem aqui, já registrei acima. Grande abraço!

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  22. Triste, muy triste tu poema... la maldad causa muchos males.

    Un abrazo.

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  23. Un gran poema, aunque triste.
    Muchas gracias
    Un abrazo

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  24. Um poema de dizeres profundo, carregado com a mais pura da sensibilidade a expor a lamuria de alguém que muito distante, a qual venceu aquilo que a vida a impôs em épocas difíceis...
    Meu grande amigo, se assim posso chama-lo... Ja estou a segui-lo, retribuindo assim a sua inclusão no meu espaço....Abraço ótimo findar de semana.... espero-te em uanderesuascronicas.blogspot.com

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  25. -`✺´-
    Você retrata um fato cruel com tanta sensibilidade na metáfora jasmins e fuzis.
    Deveríamos aprender com os erros do passado para evitá-los no presente, mas o problema troca de roupagem mas, continua!... Falta humanidade e solidariedade no mundo de hoje.

    Uma boa semana, cheia de surpresas agradáveis!
    Beijinhos.
    -`✿´-

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PEDRO LUSO