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15 de out de 2012

[Crônica] RUBEM BRAGA – Rita



 – PEDRO LUSO DE CARVALHO
  
RUBEM BRAGA nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, a 12 de janeiro de 1913, e faleceu no dia 12 de janeiro de 1990. É considerado por muito críticos o maior cronista brasileiro, depois de Machado de Assis.
 Como a biografia de Rubem Braga não cabe neste pequeno espaço, limitamo-nos a estas linhas: Formou-se em Direito, mas decidiu-se pelo jornalismo, paixão que vinha de sua adolescência, quando escrevia para um jornal de sua cidade. Mais tarde, escreveu para jornais onde residiu: São Paulo, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro.
 Fora de nosso país, Rubem Braga fez importantes reportagens, como a cobertura da primeira eleição de Perón, na Argentina, em 1946, e da segunda eleição de Eisenhower, nos Estados Unidos, em 1956.
 Nos anos de 1944-1945 acompanhou a Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, escrevendo suas reportagens para o Diário Carioca.
 Rubem Braga também trabalhou para jornais brasileiros com suas reportagens feitas nestes países: México, Portugal, Itália, Inglaterra, França, Grécia, Angola, Moçambique e Africa do Sul.
Exerceu o cargo de Embaixador do Brasil em Marrocos, na África, no período de 1961 a 1963. Depois de demitir-se do cargo, fundou com alguns sócios a Editora do Autor, e de 1967 a 1971 foi sócio da Editora Sabiá.
 Quando residiu no Rio de Janeiro o cronista escreveu para jornais e revistas e trabalhou no jornalismo da TV-Globo.
 Segue a crônica de Rubem Braga, intitulada Rita (In Braga. Rubem. O verão e as mulheres. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1986, p. 91-92:
  
[ESPAÇO DA CRÔNICA]
  
R I T A
  – Rubem Braga
  
No meio da noite despertei sonhando com minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na graça de seus cinco anos.
 Seus cabelos castanhos – a fita azul – o nariz reto, correto, os olhos de água, o riso fino, engraçado, brusco...
 Depois um instante de seriedade; minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade.
 Rita ouvindo música; vendo campos, mares, montanhas; ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pegando dele o seu jeito de amar – sério, quieto, devagar.
 Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe ensinaria a palavra cica, e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia; e o córrego; e a nuvem tingida pela viração.
 Minha filha Rita em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca a teve.

                                                                            (Janeiro, 1955)


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