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15 de set de 2012

[Crônica] LEON ELIACHAR – A Dúvida



                    [ PEDRO LUSO DE CARVALHO ]


      LEON ELIACHAR nasceu no Cairo, Egito, em 1922. Dizia ser brasileiro desde que chegou ao Brasil, aos dez meses de idade. Contava que passou 35 anos tratando de sua naturalização. Para ele, a sua carreira de criança começou quando quebrou a cabeça, aos dois anos de idade; e que começou a sua carreira de adulto, quando passou a fazer humorismo ("passei a quebrar a cabeça diariamente"). Assim descreveu as várias atividades, pelas quais passou: "Tive vários empregos: ajudante de balcão, ajudante de escritório, ajudante de diretor de cinema, ajudante de diretor de revista, ajudante de diretor de jornal. Um dia resolvi ajudar a mim mesmo sem a humilhação de ingressar na política: comecei a fazer gracinhas - fora da Câmara”.
      
     Leon Eliachar não teve morte natural. A sua morte trágica ocorreu quando um fazendeiro paranaense descobriu que sua mulher traia-o com o escritor. Nunca ficou claro se o marido foi o assassino ou se quem o matou foi alguém a mando seu, em 1987.



 [ESPAÇO DA CRÔNICA]


      A DÚVIDA
             (Leon Eliachar)


O marido já não acreditava mais naquela história de dentista. Primeiro, era uma vez por semana, depois a três vezes e agora era todo dia.

A desculpa não variava nunca:

– Querido, hoje vou ao dentista.

Foi por isso que resolveu tirar tudo a limpo. Quando a esposa se arrumou e saiu, ele resolveu segui-la.  Meia hora depois entrava num prédio, pegava um elevador e entrava num consultório de dentista. Foi aí que ele passou a dormir calmamente e a viver tranquilo.  E foi aí que ela passou a ter mais liberdade de traí-lo com o dentista.



*  *  *


4 comentários:

  1. KKKKKKKKK. HÁ VERDADES QUE ESTÃO DIANTE DOS NOSSOS OLHOS E NÃO AS PERCEBEMOS!NA VIDA REAL É BEM ASSIM TAMBÉM! UM ABRAÇO, MEU MAIS NOVO AMIGO!

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    1. Edna,

      E quantos fingem que nada sabem, por ser mais cômodo.

      Obrigado pela visita. Você será sempre bem vinda.

      Abraços,
      Pedro.

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  2. Nada como a realidade para amansar a fúria da fantasia.

    beijos :)

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    1. É verdade, há quem prefira conviver com a dura realidade, que com a dúvida.

      Abraços,
      Pedro.

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