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10 de fev de 2010

DESTRUIÇÃO – Carlos Drummond de Andrade




PEDRO LUSO DE CARVALHO

Carlos Drummond de Andrade é um dos nossos poetas mais importantes, só comparável a João Cabral de Melo Neto e a Manoel Bandeira. Claro que esses três poetas não eliminam outros tantos, que temos, de inegável qualidade. Portanto, ao posicionar esses três poetas como os mais importantes, como disse, não significa que outros podem estar no mesmo patamar, pois para muitos leitores, críticos e poetas pode ser que Drummond, João Cabral e Bandeira não sejam os melhores para eles. Sem falar que os três poetas devem ser comparados com os que surgiram a partir do século 20, dada a diferença da poesia escrita por poetas brasileiros em séculos anteriores a esse, em especial a partir da Semana da Arte Moderna, de 1922, com ênfase também à poesia escrita após a Semana, isto é, a partir de 1945.
Segue o poema Destruição, de Carlos Drummond de Andrade (in Menino antigo / Carlos Drummond de Andrade. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974, p. 32):

DESTRUIÇÃO
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


No pasto mal batido
morre o zebu picado de cobra
morre o zebu vindo de Cantagalo
com que rebuliço de estrada de ferro
com que sacrifício de estrada de barro
com que orgulho de dono da terra
morre o boi indiano
com que silêncio de urubus
na tronqueira perto.




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