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11 de fev de 2010

JOÃO CABRAL - A Carlos Drummon de Andrade



               

– PEDRO LUSO DE CARVALHO

No artigo anterior publicado aqui neste espaço tive a oportunidade de mostrar alguns trechos da obra Idéias Fixas de João Cabral de Melo Neto, escrita pelo poeta e jornalista, Félix Athayde, amigo de João Cabral. Esse livro está dividido em duas partes: “Uma educação pela pedra” (as opiniões do poeta sobre muitas coisas, sempre relacionadas com a literatura) e “Outra educação pedra” (a obra comentada pelo próprio poeta, e com suas opiniões sobre autores, e o que João Cabral comenta sobre seus próprios livros e sobre ele mesmo).
Quanto a Idéias fixas de João Cabral de Melo Neto, obra de Félix de Athayde, ficamos por aqui, para passarmos para outra obra importante, qual seja, Duas Águas (Poemas Reunidos), de João Cabral de Melo Neto (Rio de Janeiro: José Olympio, 1956).
Dessa obra, Duas Águas (Poemas Reunidos), escolhemos o poema 'A Carlos Drummond de Andrade', uma homenagem que João Cabral de Melo Neto presta ao poeta mineiro, seu amigo e um dos nomes mais importantes nomes da poesia moderna:


           A CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
      – JOÃO CABRAL DE MELO NETO



Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.




* *




REFERÊNCIAS:
ATHAYDE, Félix de. Idéias fixas de João Cabral de Melo Neto. 4ª impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: FBN; Mogi das Cruzes, SP: Universidade de Mogi das Cruzes, 1998, p. 12, 17, 26,37-38.
DE MELO NETO, João Cabral. Duas águas. Poemas reunidos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956, p. 45-46.





    *    *    *






Um comentário:

  1. Olá dr Pedro, tema triste, mas que não deve ser esquecido para que nunca mais se repita...tou lendo, paralelo ao que estou estudando no momento, A Menina Que Roubava Livros, cuja a história se passa na alemanha nazista, é um belo livro e mostra que apesar do nacionalismo implantado por Hitler, muitos, muitos não se dobraram, alguns perdendo a própria vida.
    Tenho medo dos caminhos que o mundo segue hoje, ternho medo que surja alguém tão ou mais cruel para explodir o mundo.
    ps. Carinho respeito e abraço.

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PEDRO LUSO