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21 de abr de 2015

[Poesia] PEDRO LUSO – O Vento Maldito




[ESPAÇO DA POESIA]


O VENTO MALDITO
– PEDRO LUSO DE CARVALHO


De onde vem este vento pleno
de mau agouro? Virá das tumbas
de tempos remotos? – Gélido frio
perpassa-me o corpo.
Maldito vento, por que não cessas
e voltas para teus mortos?
Ou será teu desejo levar-me
contigo como troféu?
A quem servirá minh’alma?
Troféu algum valerá trabalho
tamanho para essa viagem
das trevas, vento maldito
com presságio de morte.
Não vês que ainda tenho sonhos,
tenho amores para amar,
injustiças para corrigir?
Vai-te daqui, vento agourento!
Irei contigo, mansamente,
maldito vento dos cemitérios, 
quando não mais puder sentir
a dor dos homens secos pela fome.



*  *  *




17 comentários:

  1. Quanta intensidade neste poema, Pedro!
    Incrivelmente verdadeiro pois ha ventos que chegam mesmo assim: carregados de má energia e assustadores.
    Quanto a dor dos homens secos pela fome, está cada vez e tristemente, maior.

    Bom te ler!

    Abraços.

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  2. Olá, Pedro.

    O vento, de repente, pode ser o seguimento de um pensamento.
    Ou, a estética de uma visão, a enamorar-se.
    Estou aqui, lendo-te, e seguindo o seu blogue. Tenho um, bem simples, quase simplório. quando possível, visite-nos.
    Abraços, abrasileirados.

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  3. Como escrever um poema lindo, elegante e impactante se tratando de morte? Mas teu texto soa-me como uma súplica, ao mesmo tempo que enfrentamos esse maldito vento que faz sua ronda como urubu, esperando mais uma de suas presas.

    Esse poema mostra um conformismo em partir, mas na hora em que sentires que nada mais há por fazer.
    Também lembrei das palavras de Gilberto Freire quando diz: Venha doce morte... Não, a morte não é doce, mas peço a amarga morte que ela venha docemente...
    'O Vento Maldito' serviu como metáfora para tão dolorido poema... Porém belo!

    Com amor.

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  4. Sempre affascinanti i tuoi versi...
    Buon mercoledì e un caro saluto,silvia

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  5. Bonita poesia , inspirada em um difícil tema.
    Um abraço, Élys.

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  6. Es mejor que se vaya ese viento que provoca escalofrío.
    Un abrazo fuerte.

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  7. Olá Pedro!
    Existe realmente um cheiro pútrido no ar; a fome e a guerra cruel levada a cabo por indivíduos que se dizem religiosos....O mundo está cru, sempre esteve cru, mas apodrece cru sem cair sequer de maduro! Um mundo que não parece ter conserto. E o poeta só pode desconcertar-se na sua humanidade.
    Onde estão as brisas e os belos ventos?...Como poderemos acomodar-nos perante a injustiça e selvajaria?
    Belíssimo poema, Pedro. Profundo e contundente.
    xx

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  8. Inmenso y profundo poema.
    Un abrazo

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  9. Ese viento no vendrá a buscarte, aún no es tu tiempo, él sabe que debes escribir, tus sueños, tus amores en versos.
    Ha sido un placer leerte, hay veces que, de casualidad, encontramos algo bello.
    Cariños y buena semana.
    Kasioles

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  10. Me cuesta leerte en tu idioma y tengo que traducirlo pero pierde tu magia, otras veces he venido y no suelo dejar comentario, ahora creo que te lo debo tu poema es muy bueno aunque no es fácil hablar de la muerte tu lo haces abiertamente. Un abrazo

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  11. Há ventanias carregadas, realmente!
    Abraço, bom fim-de-semana!

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  12. UFFFFF, GRANDÍSIMO POEMA!!!!!
    ABRAZOS

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  13. Pedro entonces deja que ese viento lo conviertas en brisa entonces será un viento bendito , esta hermoso profundas letras me gustó , un abrazo desde mi brillo del mar

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  14. Boa tarde Pedro Luso.
    Confesso ao começar a ler o poema comecei a rir, a minha filha querendo saber o que estava lendo li para ela o poema, ela com lagrimas escorrendo me disse é mesmo assim que a morte vem como um vento forte querendo levar da gente quem mais amamos, o que me fez me indagar como podemos ler algo e sentir sentimentos tão contraditórios. Sorrir porque é exatamente assim que as vezes me sinto, quando lidamos com a morte de perto a sua frase Não vês que ainda tenho sonhos,tenho amores para amar é como me sinto, quanto a minha filha o seu poema conseguir tocar a sua alma. O seu poema é intenso, profundo, muito lindo abordando um assunto tão delicado, eu gostei muito da oportunidade que tive de poder ler. Uma feliz semana para você , para a sua esposa Tais e toda família.
    Abraços.

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  15. Um tema que nos leva a reflexões de como o vento nos traz más noticias e agouros
    Beijos e boa semana.

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  16. Olá, Pedro.
    Será de facto esse vento que nos vem anunciar a morte? Um vento gélido a perpassar o corpo, como que, a ensaiar a sensação de frieza que há de ser, sentir o calor da vida esvair-se.
    Poema forte.

    Aproveito para agradecer sua visita.
    Um abç amg

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  17. Uuuuiiii, Pedro, que poema forte!
    Ao lê-lo lembrei o que senti quando faleceu o meu irmão com 45 anos, durante uma cirurgia, há 20 anos. Foi um desgosto brutal. Eu não conseguia dormir nessa noite, enquanto ele jazia na morgue do hospital. Senti esse vento maldito, gélido... como se alguma força me estivesse a arrastar para a tumba.
    É um belo poema... mas ao lê-lo fiquei enregelada!
    Vou ler outro mais quentinho!!!
    Um abraço e beijinho à Tais, a quem devo visita!

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PEDRO LUSO