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20 de jan de 2010

CEMITÉRIOS PERNAMBUCANOS – João Cabral de Melo Neto






PEDRO LUSO DE CARVALHO


Algumas (duas) das Ideias Fixas de João Cabral de Melo Neto (In ATHAYDE, Félix de. Ideias fixas de João Cabral de Melo Neto. 4ª impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: FBN; Mogi das Cruzes, SP: Universidade de Mogi das Cruzes, 1998, p. 17, 26:
ARTE – Pode-se dizer que hoje não há uma arte. Não há a poesia. Mas há artes, há poesias. Cada arte se fragmentou em tantas artes quantos foram os artistas capazes de fundar um tipo de expressão original.”
(Os poetas estão vivos, Revista Petrobrás, Rio de Janeiro, nº 266, mar./abr. 1974.)
CRÍTICA - O fato de ter mais de 10 livros sobre mim não é uma coisa que me deixa muito honrado, não. Tem poetas melhores do que eu sobre quem não há livros. São poesias muito melhores, de estruturas mais simples. Mas acontece que eu sinto que a minha poesia presta para um professor brilhar sobre ela. De forma que isso prova duas coisas: que eu sou difícil e sou um escritor para professores.”
(Entrevista a Mônica Torentino, O Estado de S. Paulo, Caderno 2, São Paulo, 17 jan. 1989.)
Segue o poema de João Cabral de Melo Neto intitulado Cemitérios Pernambucanos (In DE MELO NETO, João Cabral. Duas águas - Poemas reunidos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956, p. 47):




CEMITÉRIOS PERNAMBUCANOS
(Nossa Senhora da Luz)
JOÃO CABRAL DE MELO NETO




Para que todo este muro?
Por que isolar estas tumbas
do outo ossário mais geral
que é a paisagem defunta.


A morte nesta região
gera dos mesmos cadáveres?
Não os fabrica de caliça?
Terão alguma umidade?


Para que a alta defesa,
alta quase para os pássaros,
e as grades de tanto ferro,
tanto ferro nos cadeados?


Deve ser a sementeira
o defendido hectare,
onde se guardam as cinzas
para o tempo de semear.



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PEDRO LUSO