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10 de dez de 2012

[Poesia] PABLO NERUDA – Estação imóvel




[ PEDRO LUSO DE CARVALHO ]


Neftalí Ricardo Reys Basoalto, nascido a 12 de julho de 1904, em Parral, Chile, passaria a ser conhecido pelo nome de PABLO NERUDA; na sua poesia  ele inventaria e reinventaria temas profundamente ligados ao amor e à vida. O poeta morreu na capital de seu país, Santiago, em 23 de setembro de 1973.

Pablo Neruda, sabidamente um dos mais importantes poetas dos tempos modernos, deixou uma extensa obra, com mais de 50 livros, que foram traduzidos para vários idiomas, tendo uma vendagem superior a um milhão de exemplares.

O intenso lirismo da poesia de Neruda e a sua criatividade prodigiosa, com cinco volumes de poesia publicados quando contava com apenas 22 anos, na década de 1920, contribuiu fortemente para firmar a sua reputação. O seu segundo livro, Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, tornou-se  popular e um clássico, em razão da elegância, doçura e profunda melancolia.

No ano de 1940 Neruda começou a escrever um poema épico, para o qual levou elementos da flora, da fauna, da história, da mitologia e das lutas políticas da América Latina. O seu livro Alturas de Machu Picchu, inspirado nas civilizações pré-colombianas, viria tornar-se o centro do épico Canto geral (1950).

Em 1971, a Academia Sueca concedeu a Pablo Neruda o Prêmio Nobel de Literatura.

Segue Estação imóvel, poema de Pablo Neruda (in Neruda, Pablo. Antologia Poética. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: 1964 p. 144-145):



[ESPAÇO DA POESIA]


ESTAÇÃO IMÓVEL
 [ PABLO NERUDA ]



Não quero saber nem sonhar.
Quem me pode ensinar a não ser,
a viver sem seguir vivendo?

Como continua a água?
Qual é o céu das pedras?

Imóvel, até que detenham
as migrações seu apogeu
e logo voem com suas flechas
para o arquipélago frio.

Imóvel, com secreta vida,
como uma cidade subterrânea
para que resvalem os dias
como gotas inabarcáveis;
nada se gasta nem se acaba
até a nossa ressurreição,
até regressar com passos
da primavera enterrada,
do que jazia perdido,
inacabavelmente imóvel
e que agora sobe do não ser
para ser um ramo florido.



*  *  *



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