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2 de jul de 2015

[Poesia] PEDRO LUSO – Hemoptise




  [ESPAÇO DA POESIA]


  HEMOPTISE                    
  – PEDRO LUSO DE CARVALHO


Vi o homem sonolento
no quarto sombrio.
Olhos vítreos,
pálido rosto
marcado
por rugas precoces –
prenúncio da morte
esperada,  
lenitivo da dor.

Tosse prestes a romper
a azulada veia,
desenhada
por mão
de espectral ser
no marmóreo
rosto do homem.

Corpo esquálido,
denúncia da luta inútil
pela inútil vida
do homem.
De súbito, a hemoptise,
cone de ventre ávido
e impiedoso – 
sangue manchando
os sonhos
e afogando a vida.



   *  *  *


11 comentários:

  1. Meu caríssimo dr Pedro Luso, ou deveria dizer meu poeta ? Poesia é meu fraco, ou meu forte,depende...poéticamente descreves uma situação humana, ou seja, de nossas fragilidades, mas tem um folego, que é o que falta ao personagem, que é visto pelo poeta com todo um cortejo de palavras unidas num poema que celebra vida, porque não nos restará mais nada - "sangue manchando os sonhos e afogando a vida". Gostei dr Pedro, acredito que a poesia salvará o mundo. (a poesia também me faz divagar...).
    ps. Meu carinho meu respeito meu abraço.
    ps. Felizmente meu sobrinho Samuel está bem, encontrou um médico, como aquele do teu conto, e o salvou, ele está bem.

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  2. Olá Pedro,belo poema que através das palavras nos revela a verdade da vida ou quem sabe da morte. Admiro pessoas que sabem fazer o bom uso das palavras. Uma pessoa, me disse certa vez, que poesia só fala de amor ou romantismo, nunca quis acreditar que os poetas e escritores são donos das palavras e as sabem usar,portanto você é a prova concreta de que é possível,pois você as usou para falar sobre doença e morte de uma maneira poética. Parabéns! Abraço!

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  3. Gracias Pedro por publicar este poema tan realista, algunos pensarán en el amor otros pensarán en la muerte. Eso, es lo que vale, ...pensar, ...reflexionar. Cariños.

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  4. Não faz muito que essa luta pela vida era inglória. A expectativa da cura, no século passado, era agonizante. Hoje, cura-se a tuberculose, descobrem-se vacinas, mas outras lutas serão travadas, parece um desafio eterno, a vida nos levando às mais terríveis provações.
    Triste poema, forte, desafiador. E a hemoptise (expectoração do sangue do aparelho respiratório) não deixa dúvidas do quadro dramático do teu poema.
    Beijinho!

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  5. Sábias pinceladas para pintar um quadro realista.
    Muito bom, Pedro.
    Abraços!!!

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  6. uuufff verdades profundas a veces duras pero ciertas precioso poema amigo gracias por compartir !!! un abrazo desde mi brillo del mar

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  7. Todo, absolutamente todo tiene su final... también la vida.

    Un abrazo.

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  8. Fantástico poema y ademas con mucha verdad.
    Besitos

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  9. Felicitaciones por tu blog, tu poesía. Desde Chile un abrazo grande¡¡¡¡

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  10. Oi, Pedro!
    Obrigada pelo carinho da visita, sempre muito bem vinda.
    Os sonhos daqueles que sofrem mais pelo abandono do que pela doença em si, sempre se esvaem numa hemoptise dolorosa. E como você bem assinalou lá no nosso espaço, as coisas por aqui estão cada vez mais confusas, sem sentido, obscuras. Como mudá-las? Por onde começar? Sempre me torturo com esses questionamentos que faço a mim mesma. Então, que pelo menos, as denunciemos com alguma poesia e , quem sabe, os poetas salvarão o mundo. Seu poema é um despertar para a realidade que nos cerca, uma realidade dura, seca, sem enfeites. Gosto muito, faz-me lembrar Bandeira e João Cabral.
    Amigo, um bom fim de semana pra você e sua família! Beijos na Tais!

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  11. Un hermoso poema... mostrar un trise rostro de la vida que se desangra sin ayuda, solitaria, la más de la veces abandonada por el mundo......es la agonía del mismo mundo sobrepasado por el poder y la riqueza y sus lágrimas es un llanto de sangre y de dolor
    Fuerte abrazo Pedro

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