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4 de dez de 2016

[crônica] PEDRO LUSO – Diálogo





  [ESPAÇO DA CRÔNICA]



      DIÁLOGO
    – PEDRO LUSO DE CARVALHO


Quando vemos duas ou mais pessoas conversarem nossas mentes registram a existência do diálogo. É pelo diálogo que as pessoas fazem a troca de ideias. É ele o meio mais amigável e eficaz para essa permuta. O mesmo não se dá com o discurso, que serve unicamente para o orador transmitir as suas próprias ideias.
Para a pessoa que tem a compulsão de falar, o diálogo é quase impossível. Pensa ela estar conversando quando, na realidade, está mais próxima do discurso. Ela necessita de alguém para ouvir o que tem para dizer, pois não tem o dom do diálogo. Ela não tem ideias para trocar, mas pensa que terá muito para ensinar.
Existem muitas pessoas assim, que ao invés de conversarem defendem teses intermináveis diante de quem os ouve. Mais ainda: elas não gostam de ser interrompidas quando falam, embora afirmem que querem apenas conversar. Despidas de autocrítica, pensam ter mais cultura e vivência que todos.
O discurso exige lugar adequado e plateia que se disponha a ouvir o orador sobre determinado assunto; bastante diferente, pois, da conversa entre amigos ou de negócios. O diálogo propiciará êxito em qualquer assunto, uma vez que se fala melhor quando se tem o cuidado de ouvir o que tem a dizer o seu interlocutor.
A pessoa que fala compulsivamente, que não dá atenção com quem conversa, que não se dispõe a ouvir as ideias de uma ou mais pessoas dificilmente terá amigos. Os projetos de amizade não irão longe. Não são muitas as pessoas que se dispõem a servir de meros ouvintes para engordar o ego da pessoa faladora.
Não aprenderão, essas pessoas, a dialogar. Sentem-se o centro do mundo, mas por não dialogarem, os que com eles conversam logo estarão em fuga. Ficarão para ouvi-los apenas os enganadores, que nada tem a perder; estes estarão sempre dispostos a ouvir o falastrão, desde que haja alguma vantagem, como recompensa.


   
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27 de nov de 2016

[crônica] PEDRO LUSO – O curso da vida






      [ESPAÇO DA CRÔNICA]


      O CURSO DA VIDA
          – PEDRO LUSO DE CARVALHO


A vida não transcorrerá por ato da nossa vontade; o seu curso seguirá independentemente de nossos planos. A certeza que podemos ter é que não encontraremos fórmula que possa habilitar-nos a traçar nosso destino. A nossa capacidade para agir em relação à vida não irá além das resoluções de impasses, com os quais haveremos de nos deparar.
Será aos sobressaltos que a vida transcorrerá, oferecendo-nos menos do que dela esperamos. O nosso corpo que hoje é saudável amanhã poderá estar doente; a alegria que hoje é desfrutada amanhã poderá dar lugar à tristeza. Daí causarem-nos pena as pessoas que esperam que as suas vidas tenham o seu curso como foi por elas ingenuamente planejado.
A realidade sempre se imporá. O que foi ensinado por falsos pensadores não será a vida possível, a vida haverá de mostrar-se com a sua fragilidade, alheia à nossa vontade, a nossos pretensos controles definitivos sobre o rumo que terá. Apelemos então aos controles provisórios, como o cuidado com o corpo e com a alma, para apagar a sombra da dor e do medo.


     
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20 de nov de 2016

[crônica] PEDRO LUSO – A franqueza






       [ESPAÇO DA CRÔNICA]


         A FRANQUEZA
                 – PEDRO LUSO DE CARVALHO



Algumas crianças aprendem com seus pais, em casa, a fazer uso da franqueza. Na escola, algumas delas veem que seus colegas usam dessa suposta franqueza, para dizerem tudo o que querem dizer. Acontece que nem toda a criança se acostuma quando pais ou colegas lhe chamam a atenção de forma direta, por atos que praticaram.
Muitas pessoas, que aprenderam com os pais e colegas de escola a usar da franqueza, seguirão vida afora usando-a; mais tarde passam essa aprendizagem para seus filhos; estes farão o mesmo, isto é, passarão igualmente para os filhos, criando um círculo vicioso da franqueza, até que, em alguma geração, alguém corte esse mal.
Por isso vemos na vida em sociedade adultos dizendo o que pensam sobre os atos de pessoas, sem que lhe peçam opinião. Quando essas pessoas francas se sentem no direito de opinar, vão fazendo grandes estragos durante suas caminhadas, com amizades desfeitas, demissões no trabalho, casamentos que são desfeitos etc.
Um exemplo desse ato de franqueza: um homem e sua mulher são recebidos pelo casal anfitrião para um jantar. Após jantarem, o convidado diz que não gostou do jantar nem do vinho. Isso foi dito assim, na cara dos anfitriões. Logo após o homem diz, apontando para algumas obras de arte: “Não gosto dessas pinturas.”
Enquanto escrevo, lembro-me de Ariano Suassuna, nosso talentoso romancista, quando disse, na conferência sobre literatura proferida no Senado da República, que nada o faz mais impaciente que a opinião que lhe é dada sem que a peça. Disse mais Suassuna: “Quem quiser falar mal de mim que fale, mas não na minha frente.”
De onde vem o ímpeto, essa liberdade que alguém tem para dizer tudo o que pensa de outra pessoa, que não lhe pediu sua opinião? De mente saudável certamente não será. Sempre vi na franqueza dessas pessoas o sentimento de inveja; não vi opinião, mas agressão disfarçada em crítica positiva ou conselho às pessoas que têm talento.





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13 de nov de 2016

[crônica] PEDRO LUSO – A mentira



    
     
        [ESPAÇO DA CRÔNICA]


  A MENTIRA
   – PEDRO LUSO DE CARVALHO


Ninguém poderá afirmar, sem sentir certo desconforto, que jamais mentiu em algum momento de sua vida. Até porque a mentira às vezes é a única saída que temos para situações embaraçosas, ou de outras que podem ser onerosas, como o pedido de fiança ou de aval por quem não pode pagar.
Nesses casos, a mentira não poderá ser vista como ato que revela fraqueza de caráter ou distúrbio mental, como poderá ser dito de quem seja mentiroso contumaz, isto é, aquela pessoa que, sem a menor necessidade, mente. Conheço um bom número desse tipo de pessoa, que me levam a duvidar de tudo o que dizem, sobre este ou aquele assunto.
O convívio com pessoas que mentem é difícil e desinteressante. Não escondo a aversão que tenho a essas pessoas, que não titubeiam em dizer, por exemplo, que visitam Paris uma vez por ano, quando sequer chegaram a conhecê-la. Infelizmente, tenho suportado alguns colegas e parentes próximos que vivem em suas teias de mentira, e não se dão conta de que sabemos que falseiam os fatos.
Amigos mentirosos, acredito que não os tenho. Os meus amigos, que não são muitos, dão-me a segurança de que é verdade o que deles ouço. Nem me ocorre pensar se os fatos por eles narrados são ou não verdadeiros; portanto, o que dizem dispensam-me de quaisquer filtros contra a mentira.


    
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6 de nov de 2016

[conto] PEDRO LUSO – O menino




    
   [ESPAÇO DO CONTO]

     O MENINO
  – PEDRO LUSO DE CARVALHO



Manuel, homem dedicado à família e ao trabalho, aos domingos deixava a fazenda bem cedo, com a mulher e o filho, para chegar à igreja da vila antes do início da missa. Não se esquecia da advertência do padre Onofre: “Às dez horas começa a Santa Missa, caros irmãos, com a pontualidade que deve ser respeitada”.
Embora fosse homem de poucas rezas, Manuel apreciava os sermões breves do padre Onofre. Diante dele, não se sentia pecador por não dedicar mais tempo à igreja. Mas não se esquecia do que sempre dizia, do púlpito: “A qualquer momento, podemos ser chamados para prestar contas ao Senhor”.
Era um domingo, Manuel dirigia o carro com desatenção, lembrando-se do filho de cinco anos, que perdeu. Nessas viagens, que faziam para assistirem à missa, sentia o frio de sua ausência. Desviava os olhos da estrada, às vezes, para olhar sua mulher. Vi-a triste, por não se conformar com a morte do menino.
No vilarejo, algumas pessoas perguntavam ao padre Onofre qual fora o motivo da morte do menino. Para acabar com a curiosidade, o padre resolveu fazer a pergunta ao Manuel. No dia e na hora marcada Manuel entrou na sacristia, onde o padre esperava por ele. Curvou-se para beijar o anel na mão do padre Onofre.
– Padre, eu poderia ter evitado a morte do meu filho.
– Estou aqui para ouvi-lo, Manuel.
– Como o senhor sabe, meu filho era uma criança dócil. Era um anjo, como dizia a mãe.
O homem contou ao padre que, quando seu filho tinha pouco mais de quatro anos encantou-se com o arvoredo; falou da preferência do menino por quatro árvores, muito grandes, entre outras tantas, que cobriam uma parte do terreno da sua fazenda. “As quatro árvores tinham nomes, que foram dados por meu filho”, disse Manuel.
– Fale mais sobre o menino – pediu-lhe o padre.
– Cerquei essa parte da fazenda, como a mulher havia pedido.
– Não se acanhe, prossiga.
Um tanto nervoso, Manuel explicou que foi sua intenção ampliar os estábulos da fazenda, e que, para isso, teria que limpar o terreno com o corte das árvores. Disse-lhe que havia falado à mulher sobre esses planos, e que ela se opôs com energia: “Não faça isso, essas árvores são os amiguinhos do nosso filho, homem”.
– Continue – pediu-lhe padre Onofre.
Manuel contou ao padre Onofre que não quis ouvir a mulher, e que certo dia mandou o menino para a casa de uma tia, na cidade, para que ele não visse o corte das árvores. “Padre, quando o menino voltou para casa, correu ao encontro de suas árvores e encontrou apenas os tocos delas, muitos tocos” – disse, com esforço.
– Quando meu filho viu os tocos das suas árvores, padre, passou a gritar como se estivesse louco.
– Prossiga, Manuel.
– Depois o menino abraçou um dos troncos, repetindo os nomes das suas árvores favoritas.
– Continue – disse padre Onofre.
– Após esse dia, padre, o menino não comeu mais. A mãe pedia que comesse alguma coisa, mas ele se recusava. Chamei um médico, ele receitou alguns remédios, mas o menino não tomou.
Condoído pelo estado de espírito de Manuel, que tinha os olhos marejados, muito nervoso, tremendo algumas vezes, padre Onofre levantou-se e colocou a mão sobre o ombro do homem, para confortá-lo. Esperou um pouco, depois pediu a ele para continuar.
– Faz mais de um ano que perdemos nosso filho, padre Onofre – concluiu Manuel.
No meio da tarde, o homem despediu-se do padre Onofre. Na estrada, que cortava em duas partes o campo amplo à sua frente, Manuel levava consigo o mesmo sentimento de culpa. Talvez a ação do sol forte sobre o para-brisa do carro tivesse lhe dado à impressão de que seu filho acompanhava-o, correndo sobre o asfalto.
Quando Manuel chegou em casa, sua mulher esperava-o ansiosa, querendo saber o que a conversa com o padre Onofre poderia acrescentar na vida do casal. Mantinha a esperança de que o padre tivesse iluminado o marido. A pressão no peito foi o sinal de que alguma coisa estava por acontecer, para aliviar a dor e a saudade.
– Mulher, amanhã nós vamos começar a plantar muitas árvores; vamos refazer o arvoredo do nosso filho – disse Manuel, com firmeza.
As muitas árvores, que foram plantadas, cresceram robustas, criando um colar verde em torno da casa. Os passarinhos ali construíram os seus ninhos. Manuel e a mulher envelheceram. Em frente ao arvoredo eles sentiam a presença viva do filho, e, às vezes, o viam correr risonho por entre as árvores, como sempre fazia.



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31 de out de 2016

[conto] PEDRO LUSO – Uma estranha morte







[ESPAÇO DO CONTO]


UMA ESTRANHA MORTE
PEDRO LUSO DE CARVALHO




Na vizinhança fala-se de duas mortes ocorridas de forma estranha, na luxuosa casa, construída com madeira nobre, um pouco distante do centro. O seu último morador foi o prefeito da cidade, que a adquiriu durante o seu mandato, com o dinheiro que desviou dos cofres da prefeitura.
Alguns vizinhos atribuem a morte do prefeito a um combativo político da oposição, outros dizem que havia uma mulher casada envolvida na história, que foi vista, por algumas pessoas, jantando à noite com o prefeito. O certo é que o crime ficou encoberto por uma névoa de mistério.
Não é de se estranhar a repercussão que teve a morte do prefeito, que sempre dizia, nos seus discursos, que estava destinado a socorrer os mais pobres. Depois da sua morte, o governador tornou-se alvo de severas críticas, que o levou a chamar o delegado, para exigir dele a pronta prisão do assassino.
A minha reeleição está em suas mãos.
Em poucos dias prenderemos o assassino, governador.
O delegado explicou ao governador que os seus inspetores vem interrogando informalmente pessoas que moram nas redondezas da casa do prefeito assassinado, que disseram a várias pessoas do bairro ter ouvido barulhos estranhos no interior da casa, na mesma noite em que se deu o crime.
De qualquer forma, confio na sua habilidade, delegado – disse o governador, despedindo-se.
O delegado deixou o gabinete do governador com essa responsabilidade. Na delegacia reuniu-se com dois investigadores de sua confiança, que tinham métodos eficazes para a obtenção de confissões, pedindo-lhes que não poupassem esforços para encontrar o autor do crime.
Dentro de pouco tempo ele estará preso, delegado.
Não voltem sem o bandido – disse aos investigadores.
Três dias depois os dois policiais haviam intimado para depor algumas das pessoas que contaram aos seus vizinhos que ouviram aquele barulho medonho, que mais parecia uma locomotiva freando em alta velocidade sobre trilhos de ferro, que queimavam com o calor causado pelo forte atrito.
Todas as testemunhas foram ouvidas na delegacia. Eram sete ao todo. Estavam nervosos, expressando-se com dificuldade. Quando um investigador perguntou se haviam visto alguma pessoa saindo da casa do prefeito, naquela noite do crime, disseram que apenas ouviram os estranhos barulhos na casa.
Já ouvimos as testemunhas, delegado. Não temos nada de concreto.
Ao ouvir o que disse um dos investigadores, o delegado jogou o seu revólver sobre a mesa, que por sorte não disparou. “Senhores” – disse o delegado, com uma espuma branca no canto da boca – “Podem deixar comigo, eu assumo a investigação sozinho, até prender o assassino do prefeito”.
O delegado chegou à noite, na casa do prefeito assassinado. A luz do farol do seu carro iluminou a porta social da casa, em meio à escuridão. Ali não havia uma única lâmpada acesa. A casa parecia mal-assombrada. A iluminação interna do carro permitiu-lhe encontrar a caixa de ferramentas, para abrir a porta. 
Depois de algum esforço conseguiu abrir a porta, já um tanto exausto. O sono também começava a incomodá-lo. Antes de entrar ouviu fortes zumbidos de asas, que iam e viam em sua direção, em voos aparentemente descontrolados, o que lhe despertou um pouco de medo, sem que o admitisse.
Munido de uma lanterna, o delegado conseguiu acender as luzes da casa. Estava agora na cena do crime, onde o corpo do prefeito foi encontrado por alguns vizinhos. Senta-se numa confortável poltrona, na ampla sala de estar. Seus olhos percorrem algumas obras de arte que revestem as paredes.
Da sala de estar o delegado vai ao quarto, onde encontra uma cama confortável. Cansado e com sono, apaga as luzes e deita-se. Dorme um sono profundo. Já passa da meia-noite quando é acordado pelo intenso barulho das paredes da casa, que se movem em sua direção, cercando-o com suas paredes.
Dois dias haviam passado, sem nenhuma notícia do delegado. Os investigadores vão à casa do prefeito e encontram o corpo do delegado no chão, com muitos hematomas em todo o corpo. O médico legista emitiu o seu laudo, mas não soube explicar a causa dos hematomas. A morte do delgado ainda é um mistério.



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23 de out de 2016

[crônica] PEDRO LUSO – Pais e filhos




     [ESPAÇO DA CRÔNICA]


  PAIS E FILHOS
   – PEDRO LUSO DE CARVALHO



Vemos que mulheres e homens convivem com pessoas com as quais têm um comportamento que pode ser tido como normal, nos bancos escolares de todos os níveis, no trabalho, e nos locais em que frequentam nos seus momentos de lazer; sabem manter um diálogo com seus interlocutores, com o cuidado de manterem-se afáveis, compreensivos e respeitosos, por entenderem que essa regra de conduta será a garantia de que estarão sempre rodeados de amigos, num ou noutro momento; criam em suas mentes fronteiras imaginárias que delimitam os seus espaços, e assim convivem em perfeita harmonia.
Na condição de colegas ou de amigos, esforçam-se para que o respeito mútuo esteja sempre presente entre eles, uma vez que têm plena consciência dessa necessidade; sabem que o tratamento cortês que a eles dispensam será a garantia de que também serão tratados com a mesma cortesia, e, com isso, estarão sempre mais propensos à prática de atos de solidariedade para com essas pessoas que os cercam, pois sabem que com esse modo de proceder fortalecem os elos dessa corrente que os unem; também sabem que para isso é indispensável à observância dos limites de seus territórios, e respeitam as suas fronteiras, que os separam e os ligam ao mesmo tempo.
Muitas dessas pessoas, que também convivem com os seus pais, na mesma casa ou em casas diferentes, e, nesse convívio, agora visto sob o prisma de filhos, mostram-se pessoas com comportamentos diametralmente opostos aos que convivem com colegas e amigos; caso fossem vistos nessa condição, certamente estes não seriam por eles reconhecidos, por se mostrarem egoístas, descorteses, indiferentes.
Quem os visse agora, na condição de filhos, sem dúvida ficariam desolados com o tratamento que dispensam aos seus pais, pela ausência do diálogo, do respeito, da compreensão; só não ficariam mais desolados com o que veriam porque saberiam que eles, filhos que também são, têm igualmente um comportamento junto aos seus colegas e amigos, e outro para com seus pais, que na realidade, vivem em dois mundos: com aqueles são pródigos em cortesia e compreensão, enquanto que para estes sobra a indiferença, a queixa, a acusação.
Essa é a realidade: a consciência de que existem normas para serem observadas no convívio entre colegas e amigos, e que são desconhecidas pelos filhos no relacionamento com seus pais; neste caso, deixam de praticar a cortesia, a solidariedade; em casa de seus pais, sequer os cumprimentam quando chegam, ou se despedem quando saem; guardam com avidez o que têm de bom para distribuir com sobras às pessoas que fazem parte de seu círculo de amizade; com seus amigos expandem os seus sentimentos de alegria, de camaradagem, de compreensão.
No fundo, os filhos têm uma espécie de comiseração para com os seus pais, enganados que estão ao pensarem que somente eles, os filhos, têm as necessárias condições para a fruição da vida; mas, como esse sensível e complexo relacionamento sempre foi assim, e que, no meu entender, assim permanecerá, resta-nos aceitar essa realidade, como já a aceitaram nossos antepassados. (Claro que muitos filhos são diferentes dos que aqui foram retratados.)


   
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